Rock, muito mais que uma fase adolescente, um estilo de vida.
Hormônio à flor da pele, rebeldia, porres de vomitar, luta por independência perante os pais, tudo isso regado a muito rock’n roll. Esse é o típico cenário da maioria dos jovens rockeiros na fase da adolescência. A típica entrada para o universo underground. Mas ao contrário do que a maioria dos pais pode pensar o rock não é só uma fase “fogo-de-palha” dos jovens e nem coisa de loucos drogados, apesar de que a índole de cada um é o que manda nessa opção de caminho a seguir, seja do bem, seja do mal.
É só observarmos os dados e levantamentos sobre o avanço da droga em todo o mundo e veremos que os rockeiros são apenas uma pequena parcela dos usuários... Infelizmente a devastação da droga abrange todas as tribos.
Pois bem, passa o tempo, a adolescência e toda a rebeldia acabam, vem a responsabilidade de trabalhar, de estudar, de ser adulto, os sofrimentos, etc. E o rock? Pois é... Aí é que podemos dizer que se formam os verdadeiros rockeiros e não mais os “camiseteiros” ou “posers”. Aos que tem acesso a um pouco mais de conhecimento, torna-se muito fácil perceber como o “sistema” capitalista em que vivemos é injusto e por muitas vezes cruel, que a religião (sem críticas a nenhuma religião, mas sim a alguns adeptos fanáticos) gera muita briga, fanatismo e mortes em prol de um céu que está longe, e que a vida adulta é muito mais do que uma rebeldia sem causa. É nesse momento que o rock passa de uma revolta a toa para uma ideologia e um estilo de vida, estilo que tem por base em suas letras à contestação ao sistema, às desigualdades sociais, às mazelas da humanidade, ao fanatismo, etc. Toda transformação revolucionária que aconteceu na humanidade foi com o descontentamento de uma situação mal resolvida, e é esse justamente o papel do rock, a contestação para uma mudança.
Por outro lado temos também a crítica dos que dizem que os headbangers são agressivos, ou têm uma personalidade sarcástica. Na verdade o que falta é o esclarecimento do porque de sermos assim. Apesar de haverem muitos relatos de como seria uma sociedade perfeita, o céu, ou seja lá o que for, a vida não chega nem perto de ser assim, todos sofremos, perdemos entes queridos, somos traídos de alguma forma seja por falsidade ou mesmo por alguém que confiávamos, fora os males físicos que estamos sujeitos. O segredo da vida, para sermos felizes, acaba sendo aprender a lidar com as dores, e nisso mais uma vez o rock se torna um grande aliado, trazendo a força e a agressividade necessárias para lutarmos contra toda a falsidade que nos rodeia. O rockeiro não é hipócrita, não usa máscaras a não ser a que usa pra tocar nos palcos e simbolizar a hipocrisia da sociedade. Muitos dirão que essa é uma visão revoltada e persecutória em relação à sociedade, mas é só assistirmos televisão por alguns minutos e veremos que não é nem um pouco precipitada nem desacertada.
Em suma, podemos concluir que o rock é muito mais que uma fase adolescente, mas sim um estilo de vida. Estilo daqueles que optaram por não ser conformistas e sim lutar por um ideal.
(Rodolfo Rangel)

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